Em um ato que reuniu centenas de autoridades, ativistas e moradores no Sítio Arqueológico de Itaipu, o município fluminense oficializou a Carta Niterói em Defesa do Meio Ambiente. O documento consolida a agenda ecológica da cidade e defende a continuidade de medidas nacionais rigorosas voltadas à mitigação climática e ao combate à destruição florestal. A cerimônia contou com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, além do prefeito Rodrigo Neves, do ex-prefeito Axel Grael e de parlamentares como Carlos Minc, Flávio Serafini, Verônica Lima e Fernanda Neves.
Inovação ecológica e o modelo de Piratininga
Antes de subscrever o documento perante um público de aproximadamente 800 participantes, a ministra visitou as instalações do Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis. Inaugurado em 2024 às margens da lagoa homônima, o complexo é reconhecido como o maior empreendimento baseado em Soluções Baseadas na Natureza (SBN) do país.
A estrutura abrange 680 mil metros quadrados, integrando 17 praças, 8 píeres e um moderno sistema de jardins filtrantes, capazes de tratar a água de escoamento pluvial sem demandar aditivos químicos. Além de restaurar uma região historicamente degradada, o espaço viabilizou novos polos de convivência, lazer e práticas esportivas para a população.
Durante a passagem pelo local, Marina Silva ressaltou que a iniciativa desmonta a tese de que a conservação inviabiliza o progresso material. A ministra frisou que aliar respaldo científico a investimentos gera empregos, renda e bem-estar coletivo, pontuando que visões contrárias partem de posturas negacionistas diante do colapso ecológico global.
Tecnologia aplicada e reflorestamento urbano
O compromisso firmado na carta reflete medidas já executadas em solo niteroiense. Atualmente, 57% da extensão territorial da cidade está inserida em unidades de conservação. Entre as iniciativas de destaque está o projeto no Morro da Boa Vista, na área central, onde 22 hectares replantados contam com aparatos tecnológicos avançados, incluindo sensores contra focos de fumaça e movimentação de encostas.
O município também mantém planos contínuos de recomposição da Mata Atlântica que somam 03,1 hectares em diferentes fitofisionomias, figurando como uma das maiores ações de recuperação florestal da administração local.
Conexão entre desafios locais e o cenário nacional
Ao discursar sobre o pacto, o prefeito Rodrigo Neves destacou que a responsabilidade socioambiental ultrapassa os limites municipais. Segundo a administração, o fortalecimento ecológico local integra uma rede que alcança biomas estratégicos, a exemplo do Cerrado e da Amazônia. O momento coincide com indicadores divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que apontaram retração histórica nos índices de desmatamento em áreas prioritárias, incluindo uma queda de 23,8% no Cerrado.
Articulador do texto e referência no setor, Axel Grael lembrou a trajetória ecológica do município — simbolizada pelo Parque Estadual da Serra da Tiririca, pelas ciclovias urbanas e pelas intervenções na Lagoa de Itaipu — e reforçou que a articulação política busca blindar o Estado brasileiro contra retrocessos socioambientais.

