Niterói instala três moloks no Centro, mas reciclagem segue em 5,1%

Niterói instala novos moloks, mas reciclagem não passa de 5%

A gestão de resíduos em Niterói ganhou um novo reforço estrutural com a entrega de três contêineres semienterrados no Centro da cidade. Instalados na interseção das ruas São Pedro e Maestro Felício Toledo, os equipamentos começaram a operar na última segunda-feira (19) sob a supervisão da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), dividindo o descarte entre matéria orgânica e materiais secos reaproveitáveis.

Capacidade e tecnologia do sistema subterrâneo

Os recipientes, amplamente conhecidos como moloks, utilizam um padrão visual para orientar a população: as estruturas azuis recebem materiais recicláveis secos, enquanto as marrons são voltadas exclusivamente a resíduos orgânicos. Cada unidade dispõe de um volume de cinco metros cúbicos, o equivalente a uma capacidade volumétrica de cinco mil litros.

De acordo com a administração municipal, o mecanismo hermético adotado impede a infiltração de água durante períodos chuvosos, além de diminuir o acúmulo visual e a dispersão de detritos diretamente sobre os passeios públicos.

Panorama da coleta seletiva na cidade

Com essa recente implantação, a malha urbana de Niterói atinge a marca de 74 moloks distribuídos por 31 localidades estratégicas. Desse montante global, 41 pontos atendem ao lixo orgânico e 33 destinam-se a descartes secos. A estrutura de saneamento da cidade conta ainda com 13 postos de entrega voluntária (PEVs) e mantém atendimento de coleta porta a porta cobrindo todas as regiões municipais.

O entrave dos números e a efetividade do serviço

Apesar da modernização do mobiliário urbano, os índices globais de reaproveitamento ainda expõem um gargalo importante no município. Ao longo de 2025, o trabalho da Clin resultou no recolhimento de 6.583,14 toneladas de recicláveis, montante que corresponde a tímidos 5,1% de todo o volume recolhido na cidade.

O cenário reforça que a ampliação de recipientes não garante, de forma isolada, o avanço real das metas ambientais. Especialistas apontam para a necessidade de transparência quanto ao cronograma de esvaziamento das lixeiras, despesas de operação, preservação física das estruturas e a comprovação do destino final concedido aos materiais triados.

Para assegurar que o investimento público gere impactos práticos no cotidiano dos bairros — sem registros de mau cheiro, transbordamento ou bloqueio de calçadas —, torna-se crucial promover campanhas educativas contínuas com comerciantes e moradores locais, impedindo a mistura inadequada de resíduos que inviabiliza o processo de reciclagem.