Rio de Janeiro cria reserva marinha para conservar a biodiversidade e fortalecer a pesca artesanal

Rio cria reserva marinha de 3 mil hectares na Zona Oeste

O litoral da Zona Oeste carioca passa a contar com um importante reforço ambiental e socioeconômico após a formalização da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Marinha Urupirá (RDS Urupirá). A nova unidade de conservação abrange uma área de 3 mil hectares e foi projetada para blindar os ecossistemas aquáticos costeiros, resguardar espécies vulneráveis e garantir a subsistência das populações que vivem da pesca artesanal.

Extensão territorial e alinhamento internacional

Sob coordenação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, a reserva tem seus limites estabelecidos entre a Ilhota do Frade, localizada em Barra de Guaratiba, e a Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes. O perímetro inclui ilhas, costões rochosos e áreas subaquáticas essenciais como refúgio, berçário e fonte de alimentação para organismos marinhos, inclusive espécimes sob risco de extinção ou com valor comercial.

Com essa medida, o Estado do Rio de Janeiro avança diretamente no cumprimento da meta 30×30 do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. O tratado internacional estipula que ao menos 30% das áreas terrestres, marítimas e litorâneas estejam formalmente protegidas até 2030, recuperando estoques pesqueiros e preservando a conectividade ecológica.

Combate a ameaças e governança compartilhada

A categoria de Reserva de Desenvolvimento Sustentável, regulada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), foca na coexistência entre o equilíbrio ambiental e as práticas humanas tradicionais. Na prática, a unidade visa combater problemas críticos que afetam a costa fluminense, tais como a pesca predatória, o descarte irregular de resíduos, a pesca fantasma e o avanço do turismo sem planejamento.

Segundo o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas, a criação da reserva concilia a expansão de áreas preservadas com a participação direta das comunidades locais, gerando uma governança equilibrada e justa para quem depende desses recursos.

A gestão do território será conduzida por meio de um Conselho Deliberativo composto por membros do poder público, da sociedade civil organizada e de moradores locais cadastrados. Esse formato permite que os próprios pescadores participem das deliberações sobre o uso do espaço, além de atuar em ações de pesquisa científica, fiscalização ambiental e monitoramento pesqueiro participativo.

Resgate histórico e desenvolvimento sustentável

A definição dos limites e diretrizes da RDS Urupirá resultou de levantamentos técnicos e consultas públicas que contaram com a escuta direta das comunidades tradicionais. A área continuará aberta para iniciativas de ecoturismo ordenado, práticas esportivas de baixo impacto e visitação, desde que compatíveis com as normas conservacionistas.

O batismo da nova unidade homenageia o passado ancestral do litoral carioca: o termo indígena Urupirá, antigo nome da Ilha das Palmas, significa “cesto do peixe”, simbolizando a identidade histórica e a estreita ligação da região com o universo pesqueiro.