Câmara de Niterói mantém veto; novo projeto reúne os 21 vereadores

Niterói: novo projeto propõe moradia assistida para autistas

Todos os 21 parlamentares da Câmara Municipal de Niterói uniram forças para apresentar uma nova proposta legislativa voltada ao suporte habitacional de adultos com transtorno do espectro autista (TEA) e outras deficiências. A medida foi articulada logo após o plenário decidir manter o veto integral do prefeito Rodrigo Neves ao Projeto de Lei nº 52/2026, que tratava do mesmo tema.

Consenso político e ajustes no texto

A iniciativa partiu da vereadora Fernanda Louback (PL), autora da versão anterior ao lado de Daniel Marques (PL). Desta vez, o documento passou a contar com o endosso coletivo de toda a bancada municipal e recebeu aval positivo em três colegiados internos: Constituição e Justiça; Habitação e Regularização Fundiária; e Defesa dos Direitos da Juventude, do Idoso e da Pessoa com Deficiência.

O Executivo havia vetado o projeto original sob a justificativa de invasão de competência administrativa, divergências com legislações federais e ausência de estudo sobre impacto financeiro e orçamentário. Para destravar a pauta, a nova redação foi reformulada para atuar em nível principiológico e estrutural, evitando a imposição direta de abertura imediata de vagas, compra de imóveis ou contratação de servidores públicos.

Amparo a pessoas sem rede de apoio

O foco central da proposta é fixar diretrizes integradas entre as áreas de assistência social, saúde e habitação, em parceria com organizações civis. O objetivo é amparar cidadãos que não disponham de responsáveis legais capazes de prestar cuidados contínuos, cenário comum diante do falecimento, da idade avançada ou do adoecimento de pais e tutores.

O texto enfatiza preceitos como a convivência comunitária, o respeito à autonomia individual e as preferências dos moradores como pilares fundamentais de qualquer política futura de acolhimento.

Expectativa das famílias e próximos passos

Apesar da construção do consenso político no Legislativo, o projeto inicia um trâmite formal e não institui o serviço de forma imediata. A efetivação de eventuais residências assistidas ainda dependerá de sanção municipal, alocação de verbas públicas e regulamentações técnicas do Poder Executivo, não havendo locais definidos ou cadastramento aberto até o momento.