Niterói cria canal digital para denúncias de LGBTfobia e intolerância religiosa

Niterói lança canal online contra preconceito e intolerância

Vítimas e testemunhas de atos discriminatórios na cidade de Niterói contam agora com uma nova ferramenta de proteção aos direitos humanos. O município disponibilizou um sistema digital voltado ao recebimento de denúncias de LGBTfobia, intolerância religiosa e outras violações motivadas por preconceito. A gestão do mecanismo fica a cargo da Coordenadoria de Defesa dos Direitos Difusos e Enfrentamento à Intolerância Religiosa (Codir).

Como funciona o atendimento e o suporte às vítimas

A plataforma foi desenvolvida para assegurar flexibilidade e segurança ao cidadão, permitindo que as queixas sejam feitas de forma anônima ou com identificação. Nos casos em que o denunciante escolhe fornecer seus dados de contato, a equipe técnica da Codir realiza uma abordagem humanizada para prestar orientação jurídica, apoio psicossocial e os devidos encaminhamentos aos serviços da rede assistencial e de proteção.

O órgão já desempenha um papel central no município em iniciativas voltadas à equidade e à proteção de populações vulnerabilizadas. O novo recurso tecnológico fortalece essa frente de atuação ao aproximar a gestão municipal de quem sofreu ofensas ou constrangimentos em seu cotidiano.

Mapeamento de violações para formulação de políticas públicas

Além de funcionar como porta de entrada para o acolhimento, o sistema terá papel estratégico na coleta de estatísticas. A reunião dos registros vai permitir à administração identificar os pontos críticos da cidade e os perfis mais comuns de agressão, auxiliando no desenho de políticas preventivas mais eficazes, com total garantia de sigilo sobre os dados pessoais dos usuários.

Entre as ocorrências que podem ser cadastradas na plataforma estão:

— Agressões verbais ou corporais e intimidações;

— Discriminação em ambientes de trabalho, colégios e comércios;

— Depredações, vandalismo e invasões a terreiros, igrejas ou templos religiosos.

Serviço não substitui o registro policial

Apesar do alcance da iniciativa, a prefeitura ressalta que o canal digital municipal tem caráter de acolhimento e diagnóstico institucional, não possuindo atribuição penal. Portanto, a ferramenta não substitui a confecção do boletim de ocorrência na Polícia Civil e não aciona investigações judiciais.

Em circunstâncias de flagrante, risco à vida ou violência iminente, a recomendação permanece a mesma: acionar imediatamente as forças de segurança pública pelo atendimento de emergência. A avaliação do impacto do novo sistema dependerá da publicação de relatórios periódicos com balanços de atendimentos e da resolutividade dos encaminhamentos prestados à comunidade.