A discrepância entre o planejamento anunciado pelo poder público e o serviço entregue aos passageiros transformou o transporte público em foco de críticas durante o primeiro turno em Niterói. Apesar da determinação para que a frota operasse com intervalos semelhantes aos de dias úteis, eleitores e trabalhadores enfrentaram plataformas desabastecidas, longas esperas e veículos lotados ao longo do domingo de votação.
Filas e plataformas desérticas no Terminal João Goulart
O reflexo da baixa frequência foi visível em pontos estratégicos da cidade, com destaque para o Terminal João Goulart, no Centro. No local, baias de embarque permaneceram vazias por períodos prolongados, gerando filas extensas e revolta. Casos extremos incluíram cidadãos que aguardaram mais de duas horas para conseguir embarcar de volta para seus bairros.
O plano da Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura previa também a circulação de duas linhas circulares extras, desenhadas especificamente para atender eleitores impactados pela transferência de zonas eleitorais nas regiões do Fonseca e do Barreto. Contudo, os relatos de desassistência se espalharam por diferentes regiões da cidade.
Responsabilidade dividida entre município e estado
A apuração dos problemas exige diferenciar as esferas de atuação. Parte das queixas registradas no dia do pleito envolveu trajetos intermunicipais, cuja fiscalização e regulação cabem ao governo estadual. Por outro lado, as linhas que circulam estritamente dentro do território niteroiense eram de encargo direto da prefeitura e das empresas concessionárias do município.
Embora a oferta de tarifa zero tenha sido garantida para facilitar o deslocamento democrático, o benefício perde sua eficácia prática quando a oferta de veículos é insuficiente para atender à demanda da população.
Exigência de dados e preparo para o segundo turno
Diante do descompasso entre a programação oficial e a realidade das ruas, ganha força a exigência de uma prestação de contas transparente. Usuários e entidades cobram a divulgação de métricas detalhadas: a quantidade de ônibus que deveria ter saído das garagens, o volume que realmente circulou, os intervalos médios praticados e as linhas que registraram as maiores deficiências.
Com a possibilidade de um segundo turno eleitoral, a avaliação crítica do primeiro turno torna-se fundamental. Diagnosticar exatamente onde ocorreram as falhas operacionais é o único caminho para corrigir as rotas e assegurar que o eleitor não seja novamente penalizado pelo desfalque no transporte coletivo.

