O rendimento escolar de milhares de estudantes que vivem em comunidades fluminenses tem ganhado um reforço de peso fora das salas de aula convencionais. Por meio do Geração UPP, programa de proximidade da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), a rotina de treinos esportivos caminha lado a lado com a exigência de boas notas no boletim, transformando a disciplina aprendida nos tatames em dedicação aos estudos.
Equilíbrio entre disciplina esportiva e desempenho acadêmico
Criado em 2009 com a proposta de atuar na prevenção à violência e na inclusão social, o projeto atende atualmente 6.327 pessoas em 33 comunidades do estado. A maior parte desse público é formada por crianças (3.050) e adolescentes (1.771), embora a iniciativa também envolva 1.427 adultos e 79 idosos em atividades voltadas ao bem-estar e à saúde.
Para permanecer nas aulas de artes marciais e outras práticas esportivas, a dedicação escolar é mandatória. A grade do programa vai além do condicionamento físico e inclui reforço pedagógico, aulas de inglês e música no contraturno escolar. O objetivo é afastar os jovens da ociosidade e criar uma perspectiva de futuro sólida.
Segundo o policial militar e instrutor Jorge Coelho, a cobrança por resultados escolares é parte fundamental da metodologia. Manter as notas azuis é pré-requisito indispensável para que os participantes continuem treinando, estimulando metas claras e autocontrole desde a infância.
Resultados nos tatames e na vida pessoal
A combinação de apoio educacional e esporte tem revelado talentos de destaque e transformado realidades familiares. Um dos exemplos é Sofia “Borrachinha”, aluna de 10 anos da unidade do Caju. Com sete medalhas de ouro em competições de capoeira, a jovem atleta garantiu vaga na seleção brasileira da modalidade. Sua mãe, Letícia, destaca que a mudança de postura da menina dentro de casa e na escola foi imediata após o ingresso nas atividades.
O impacto esportivo do trabalho de base também se traduz em números expressivos nos circuitos de competição. Em 2025, os alunos do projeto subiram ao pódio 728 vezes em disputas nacionais e internacionais de judô, wrestling e jiu-jítsu, somando 330 ouros, 196 pratas e 202 bronzes. Somente no jiu-jítsu foram 658 medalhas conquistadas, consolidando o projeto entre as cinco equipes mais vitoriosas da categoria em todo o território fluminense.
Mediação social e combate à evasão escolar
As atividades são lideradas por policiais militares devidamente capacitados para a docência social. Periodicamente, o corpo de instrutores participa de atualizações em temas como direitos humanos, redes de proteção à infância, pedagogia e inteligência emocional.
Essa convivência contínua estabelece um canal direto de diálogo com mães, pais e responsáveis. Ao acompanhar de perto o histórico dos alunos, os instrutores conseguem identificar precocemente defasagens de aprendizagem e agir em conjunto com os colégios para combater a evasão escolar, assegurando que o esporte continue sendo um trampolim para a cidadania.

