Uma área antes ociosa no bairro do Fonseca ganhou nova utilidade pelas mãos da própria comunidade escolar. A Escola Municipal Paulo Freire inaugurou o seu novo centro cultural, transformando as dependências de um antigo refeitório em um polo de artes visuais, convivência e representação discente em Niterói.
Protagonismo jovem e ocupação criativa
A iniciativa foi celebrada durante a realização da Semana de Arte e Cultura da unidade. O local, que havia perdido sua função original após as obras de ampliação que entregaram uma nova cantina aos alunos, foi totalmente reconfigurado para abrigar tanto exposições artísticas quanto a sede do grêmio estudantil.
A concepção do projeto partiu de um diálogo entre os jovens e o corpo docente. O professor de Artes Eires Silveira, que idealizou a ocupação ao lado da professora Denilce, ressaltou que a participação direta dos alunos desde a montagem até a curadoria reforça a autonomia escolar e valoriza as produções dos estudantes.
Para Emily Lima, diretora de Comunicação e Mídia do grêmio, a inauguração consolida um território próprio para a expressão dos discentes. Segundo a aluna, unificar a atuação política da entidade com a produção artística possibilita amplificar a voz dos estudantes e abrir a escola para novas ideias coletivas.
Primeiras mostras exploram a relação entre escola e território
O centro cultural abriu as portas exibindo trabalhos desenvolvidos nas salas de aula. Um dos pontos altos da programação é a mostra fotográfica “A escola saiu às ruas”, ensaio que transportou carteiras e mesas para locais públicos de Niterói, como praças, museus e centros comerciais, propondo uma reflexão visual sobre a integração entre o ambiente pedagógico e a cidade.
Outro destaque da programação inicial é um painel de pesquisa dedicado à trajetória de mulheres fotógrafas. A exposição resgata legados femininos por trás das lentes, ampliando o repertório dos alunos e fomentando a investigação histórica no ambiente acadêmico.
Transformação contínua da rede pública
A entrega do equipamento cultural foi prestigiada pelo secretário de Educação do município, Bira Marques, que enfatizou a importância de a escola pública servir como polo de manifestação cultural e produção crítica. O gestor apontou que a apropriação dos espaços pelos próprios matriculados consolida o sentimento de pertencimento.
À frente da unidade e lecionando há duas décadas na instituição, a diretora Márcia Palmar avaliou que a inauguração reflete a evolução contínua da escola. De acordo com a gestora, a meta das melhorias estruturais e pedagógicas é justamente formar cidadãos participativos, assegurando que os estudantes deixem o papel de espectadores para liderar as transformações do cotidiano escolar.

