Uma imersão cênica e musical pelas práticas de cura dos séculos 16, 17 e 18 chega aos palcos fluminenses. O grupo Ensemble PHOENIX realiza no Theatro Municipal de Niterói a apresentação de O Teatro da Cura: Música e Medicina, concerto comentado que recorre a instrumentos de época — alguns exemplares originais do século XVIII — para explorar a visão histórica da saúde com leveza e rigor estético.
Diálogo entre arte barroca e história da saúde
A montagem integra a etapa final da série Viagem no Tempo, idealizada para transportar o público a diferentes contextos socioculturais do passado. O espetáculo aborda como a sociedade lidava com enfermidades físicas, misturando cirurgias rudimentares, elixires, poções e rituais a partituras sofisticadas do período barroco. Elementos cômicos e intervenções narrativas conduzem a audiência por um retrato bem-humorado da figura médica da época.
O repertório reúne criações de mestres como Johann Sebastian Bach, Georg Friedrich Haendel, Jean-Baptiste Lully, François Couperin, Marin Marais, Marc-Antoine Charpentier e Johann Kuhnau. A execução fica a cargo de Laura Rónai (flauta barroca), Roger Ribeiro (violino barroco), Eduardo Antonello (cravo) e Myrna Herzog (viola da gamba e direção artística).
Trajetória da temporada e itinerância
O projeto estreou em maio com o tema Plantas Exóticas, que revisitou a fascinação europeia pela flora do Novo Mundo, passando pelo Solar de Botafogo e pelo palco niteroiense. Na sequência, a produção levou Conversa Galante a Petrópolis, na Casa Stefan Zweig. Para a conclusão do ciclo, além da sessão no Theatro Municipal de Niterói, a montagem também contempla apresentações no Solar de Botafogo e no Centro de Música Carioca Arthur da Távola, na Tijuca.
Referência na interpretação com instrumentos históricos
Criado em 1998 em Israel e estabelecido também no Rio de Janeiro, o Ensemble PHOENIX soma 17 álbuns gravados e reconhecimento internacional pela difusão do repertório antigo, desde a Idade Média até o início do século XIX. A formação tem papel expressivo no resgate da memória musical nacional, tendo registrado pela primeira vez com instrumentos de época o Credo composto por Dom Pedro I, além de partituras de José Maurício Nunes Garcia.
À frente do projeto, Myrna Herzog é pioneira da viola da gamba no Brasil, fundadora da Academia Antiqua Pró-Arte e pesquisadora com trabalhos editados em publicações especializadas globais. Com carreira internacional como solista e regente em 25 países, a musicista acumula 22 registros fonográficos dedicados a instrumentos de cordas friccionadas históricas.
Serviço
A sessão acontece na quarta-feira, 7 de outubro, às 19h, no Theatro Municipal de Niterói (Rua XV de Novembro, 35, Centro). Os ingressos custam R$ 80 (com valor promocional antecipado de R$ 60 até a véspera), disponíveis pela plataforma Fever e na bilheteria física. A classificação etária é de 12 anos e a duração estimada é de 60 minutos.

